A Insustentabilidade dos Panfletos de Rua

Na minha primeira participação como convidado do E esse tal Meio Ambiente? levanto um tema polêmico, a panfletagem comercial. Não é a minha intenção generalizar, afirmando que todas as empresas do país adotam às péssimas práticas aqui expostas, porém são ações frequentemente notadas, principalmente em cidades em plena expansão imobiliária e comercial.

A meu ver, a panfletagem extensiva, sem inteligência, fere os três tripés da sustentabilidade, se mostrando uma das ações de propaganda mais ineficientes ainda utilizada. Socialmente injusta, ambientalmente incorreta e economicamente inviável, a panfletagem deixa a desejar quando se trata a questão por etapas.

 

Panfletos acabam virando lixo em ruas do Rio de Janeiro

Analisando os Tripés da Sustentabilidade

Social

O lado social da panfletagem se sobrepõe ao problema ambiental e financeiro. Chega a ser desumano fazer com que alguém passe 8 horas panfletando entre sinais e caixas de correio, ou muitas vezes até segurando uma bandeirola com o nome do empreendimento, no sol e sem sair do lugar, por diárias de R$15 a R$20, isso mesmo, sem registro, CLT, benefícios, nada.

Claro que existe a questão da necessidade financeira de quem se submete.  Porém, se ações ineficientes e insustentáveis como essas forem vistas de outra forma; se as mega-agências de publicidade fossem forçadas a pensar e desenvolver algo mais inteligente e que viabilizasse uma oportunidade de renda real, regulamentada e registrada, tudo seria diferente.

Econômico

No que se refere à viabilidade econômica posso dizer: Não me graduei em publicidade, mas com conhecimento em viabilidade econômica de projetos, garanto que uma ação de propaganda como essas tem eficiência baixíssima, ainda mais se comparada com outras opções. Um panfleto, de milhares impressos, vai efetivamente gerar uma venda. Além do mais, em poucos casos o local da ação é escolhido estrategicamente. Perguntam: “É o sinaleiro mais movimentado?” E só. Nada de traçar um perfil do público-alvo.

O único indicador que poderia favorecer a escolha da panfletagem como estratégia de propaganda é o ROI – Retorno Sobre o Investimento, uma vez que o retorno da venda de uma unidade habitacional sobre o valor investido na panfletagem seria altíssimo. Porém, extrapolando o indicador, esse fator só agrava o problema social exposto, pois as agências e seus contratantes faturam alto e remuneram muito mal quem viabilizou a venda.

Ambiental

Por fim, a tão batida questão ambiental que tange a panfletagem extensiva: aumento do lixo nas ruas, entupimento de bueiros causando enchentes, poluição dos cursos d’água, consumo de papel proveniente de fontes desconhecidas, sem falar na quantidade de CO2 que é emitida em todas as etapas de produção.  Na era da tecnologia, ante a febre dos virais vistos por milhões de pessoas em dezenas de sites de relacionamento, é inconcebível que essas empresas não mudem a estratégia de propaganda.

Nós podemos, com uma ação, tentar enfraquecer tal prática: basta não receber os panfletos, folhetos ou encartes nos semáforos. Dessa forma, forçaremos as agências a investir em pesquisa e desenvolvimento de novas formas de atingir o consumidor 2.0, que muitas vezes passa mais tempo em frente ao computador do que dentro do carro.

 

* Samuel Gondim Lemos de Oliveira é graduando em Engenharia de Produção na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e autor de diversas publicações sobre sustentabilidade. Samuel é um dos vencedores do Prêmio Bayer Jovens Embaixadores Ambientais 2010 onde propunha um modelo de baixo carbono para turmas universitárias com compensação das emissões restantes.
 
Fonte: http://essetalmeioambiente.com/a-insustentabilidade-dos-panfletos-de-rua/

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